REFLEXÕES DE UMA DESIGNER

Uma de minhas brincadeiras preferidas quando criança era debruçar no caderno de imóveis, e  brincar “dentro” dos apartamentos decorados. Criava personagens com palitinhos de fósforo, e ficava horas vivendo dentro daquelas páginas. Aventurei-me a desenhar aqueles apartamentos, e com 11 anos já tinha feito minha primeira planta. Mirabolantes e utópicas, é verdade, com jardins imensos na suíte imperial, banheiras que poderiam ser piscinas, varandas tão grandes que poderiam ser um outro apartamento. Mas para uma criança que vivia em uma família com dificuldades financeiras, era uma forma de suavizar a realidade e sonhar com o futuro.

Sou sinceramente grata ao mundo por me dar a chance de ser o que sempre sonhei. Ser o que sou. E não peço mais. Faço apenas minha parte por que sei que a recompensa é inevitável quando se faz com amor.

E meu estilo de trabalho está totalmente ligado às experiências de vida que ganhei. Acredito que o designer de interiores e o arquiteto só são completos como profissionais se eles conseguirem respeitar e traduzir a personalidade de seu cliente no projeto. Isso é essencial. E apesar de ser extremamente importante, não é apenas a técnica que conta nestas profissões e o lado humano deve ter um peso equivalente ao acadêmico.

O lado humano a que me refiro, são as sensações, as histórias de vida de cada um, suas crenças, seus amores, sua família, seus sonhos. E não existe teoria suficiente para explicar o que é a vida plena particular de cada individuo. Para entender uma pequena parcela disso, tão necessário para o desenvolvimento do projeto,  é preciso abrir o coração e sentir. Sentir o cliente.

O ser humano se acostuma e se adapta as mais diversas situações, da falta ao excesso, da pobreza ao luxo, do campo a cidade, do ar puro ao poluído. E numa casa, não é diferente. As pessoas se adaptam. Vivem o dia a dia corrido, e muitas vezes olham mas não vêem. Ou melhor, preferem não ver. A vontade de mudar existe porém pela falta de tempo as pessoas deixam pra depois.

Quando entro num ambiente para uma avaliação inicial é como se um botão fosse acionado. O olhar começa a procurar os alinhamentos, as possibilidades, os erros, as bagunças, as estampas erradas, ou a falta delas, as cores, as circulações que podem ser melhoradas, detalhes que se forem modificados transformarão as vidas de quem circula e vive ali.  Porém existe um respeito enorme à aquele individuo que está na minha frente. Quase num pedido de socorro. E isso é muito humano. Não posso entrar na casa de alguém e iniciar um tiroteio de defeitos. Apontando de forma egocêntrica e até mesmo cruel.

O que mais me admiro é, que quanto mais respeito as imperfeições dos outros, mais sou respeitada como profissional. E isso é muito humano, é a troca de amor.

Essa consciência coletiva em respeito ao planeta é o reflexo das mudanças nas atitudes dos seus moradores, nós seres humanos.  É importante sim, falar de sustentabilidade e posturas ecologicamente corretas, mas principalmente fazer isso se tornar parte de nossas vidas, de forma natural, sem a obrigação.

O design consciente está mais próximo e acessível a todos a cada dia. A restauração de móveis antigos, o respeito com a arquitetura histórica, a utilização de materiais que agridam menos a natureza, tudo isso está ligado a um só sentimento: Amor.

Sabemos que todos somos responsáveis por tudo e por todos. Ninguém está e nem vive sozinho. E tudo está interligado. Sempre esteve, mas agora temos consciência disso. A beleza está na simplicidade, por isso aproveite! Pois ser chique é ser você mesmo e realçar o que você tem de melhor! Seja no seu trabalho, na sua casa, na sua vida.

Texto publicado na revista Perfil Empresarial

 

Publicado por

Erika Karpuk

erikakarpuk.com

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