DESCONSTRUINDO A PERFEIÇÃO NA DECORAÇÃO

Meu relacionamento com o design de interiores tem 20 anos de existência. Passou muito rápido desde o meu primeiro estágio, e muitas mudanças aconteceram na minha vida e no mundo.
Até bem pouco tempo atrás eu trabalhava da forma mais tradicional possível. Mas essa tal de vida foi me levando para um caminho novo, um futuro que até então eu desconhecia, até chegar aqui, no universo do design sustentável.

Porém o que tem aflorado muito em mim é a necessidade de libertação dos velhos conceitos impostos pela Cultura do Consumo.

Estou morando numa casa antiga e tudo o que meu olho pode ver não está alinhado, nem tem um acabamento perfeito. A pintura é mais ou menos. As paredes não são completamente lisas. O forro não é perfeitamente colocado, e existem frestas minúsculas que meu olhar de designer é atraído como imã. Tem formigas, sim! São chatas e preciso guardar tudo bem guardado para que não ataquem meus quitutes. A iluminação não é high-tech e super moderna. Os tijolos aparentes são meio quebrados, uns mais pra frente que os outros. E por ai vai… A lista é imensa.

Mas como a “rainha do projeto executivo perfeito e do detalhamento de 100 páginas” pode morar numa casa assim? (sim! eu era a chefe mais rigorosa do mundo quando o assunto era projeto).

Então respondo já fazendo uma nova pergunta:

Estou feliz nessa casa toda antiga e desalinhada?

E agora sim, a resposta definitiva:

SIM!!! Muito feliz!

E talvez até poderia terminar meu argumento aqui! Por que a desconstrução da perfeição é justamente sobre isso! Porque pra morar e viver bem, e feliz, a gente não precisa do alinhamento perfeito, dos revestimentos mais caros, dos móveis mais incríveis do mundo. Por que não é isso que fará sua existência como ser humano ser melhor. E mais importante, não trará felicidade, e sim uma satisfação momentânea que logo se transforma em ansiedade, que consequentemente traz aquela sensação de vazio e o sininho do “preciso de algo novo” toca.

E sabe como se chama esse processo?  Cultura do Consumo!

Você sai às compras buscando preencher aquele vazio, aquela ansiedade. Compra. Usa. E logo mais a sensação volta a bater. É um círculo vicioso!

E essa cultura do consumo invadiu nossa vida de tal forma, que hoje ela já faz parte do nosso DNA. Costumo dizer que somos a “geração Apple”, onde o design é perfeito, onde tem que ser caro pra ser bom, onde a marca é a referencia de qualidade. E então, vamos sendo moldados inconscientemente para acreditarmos nisso. Outra consequência da Cultura do Consumo, é a descrença do que somos capazes de fazer. Porque pra ser bom, precisa ser comprado. E ai, entra a Cultura do Faça Você Mesmo pra quebrar paradigmas.

Trabalhar com o “faça você mesmo” me ajudou a enxergar tudo isso, porque cada objeto criado, cada parede pintada, cada lixada em cimento… eu penso: Caraca, fui capaz de fazer sozinha! Ficou perfeito? Na maioria das vezes não. Mas deu uma satisfação pessoal? Sim! E muito!

O que faz um lar ser confortável e feliz? É o quanto pagou no sofá assinado ou a foto dos seus amigos colada com durex na parede? É o piso de mármore italiano que pagou uma fortuna ou estar rodeado de gente querida numa mesa qualquer?

Daí lá vem o mimimi… “ah… mas essas coisas caras e incríveis me fazem feliz!”

Tem certeza disso? Já parou pra pensar se realmente você é feliz com tudo o que comprou na vida? E se de um dia pro outro essas “coisas” não existirem mais? Sua felicidade acaba?

Já dizia Coco Chanel: “As melhores coisas da vida são de graça; as que vêm em segundo lugar são muito, muito caras.”

Então, meus amigos, venho aqui, humildemente, para alertá-los que não é o piso perfeito e as paredes alinhadas que trazem a felicidade! É um exercício árduo (confesso!). E estou desconstruindo a minha percepção do que é perfeito à partir das minhas experiências de vida. E isso tem feito um bem danado para minha alma e meu coração. E é com todo carinho que desejo à vocês o mesmo. Tudo bem se tiver um celular mais ou menos, uma casa mais ou menos, uma roupa mais ou menos. Todas essas “coisas” ficam velhas e obsoletas. E precisam ser trocadas. E então?  Vamos Desconstruir a Perfeição?
Assista ao vídeo onde falo um pouco mais sobre isso:

#desconstruindoaperfeição

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Publicado por

Erika Karpuk

erikakarpuk.com

5 thoughts on “DESCONSTRUINDO A PERFEIÇÃO NA DECORAÇÃO

  1. “Desconstruindo a perfeição” me chamou atenção ao seu site, concordo plenamente com essa forma de pensar e viver. Acredito também que o caminho é por aí. Precisamos “SER” em um mundo onde tudo te leva a “TER”. Um Abraço

    Curtido por 1 pessoa

  2. vc é diva inspiradora! Concordo completamente contigo, embora não faça mal ouvir de alguém do design o OK para aceitar o imperfeito que nos faz feliz. Faço muitos DIYs, pesquiso bastante e mesmo assim, a perfeição não chega (como eu exijo de mim mesma, pelo menos)… suas palavras são música e conforto para que eu continue a fazer, buscando melhorar, é claro, mas me permitindo ser feliz no processo. Saiu meio confuso, mas espero que de pra entender..

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