DESCONSTRUINDO A PERFEIÇÃO NA DECORAÇÃO

Um conceito novo, talvez aqui no Brasil, e que fazendo uma busca rápida no Google, não encontro nada a respeito. Então posso dizer que sou a primeira a falar sobre isso… (será?)

Portanto, vou argumentar aqui com vocês sobre essa minha mais nova percepção e tentar convencê-los (rs brincadeirinha) .

Meu relacionamento com o design de interiores tem 20 anos de existência. Pasmados? Eu também! Passou muito rápido desde o meu primeiro estágio, e muitas mudanças aconteceram na minha vida e no mundo.

Até bem pouco tempo atrás eu trabalhava da forma mais tradicional possível. Isso talvez vocês já saibam. Mas o que tem aflorado muito em mim é a necessidade de libertação dos velhos conceitos impostos pela Cultura do Consumo.

Estou morando numa casa antiga e tudo o que meu olho pode ver não está alinhado, nem tem um acabamento perfeito. A pintura é mais ou menos. As paredes não são completamente lisas. O forro não é perfeitamente colocado, e existem frestas minúsculas que meu olhar de designer é atraído como imã. Tem formigas, sim! São chatas e preciso guardar tudo bem guardado para que não ataquem meus quitutes. A iluminação não é high-tech e super moderna. Os tijolos aparentes são meio quebrados, uns mais pra frente que os outros. E por ai vai… A lista é imensa.

Mas como a “rainha do projeto executivo perfeito e do detalhamento de 100 páginas” pode morar numa casa assim? (sim! eu era a chefe mais rigorosa do mundo quando o assunto era projeto).

Então respondo já fazendo uma nova pergunta:

Estou feliz nessa casa toda antiga e desalinhada?

E agora sim, a resposta definitiva:

SIM!!! Muito feliz!

E talvez até poderia terminar meu argumento aqui! Por que a desconstrução da perfeição é justamente sobre isso! Porque pra morar e viver bem, e feliz, a gente não precisa do alinhamento perfeito, dos revestimentos mais caros, dos móveis mais incríveis do mundo. Por que não é isso que fará sua existência como ser humano ser melhor. E mais importante, não trará felicidade, e sim uma satisfação momentânea que logo se transforma em ansiedade, que consequentemente traz aquela sensação de vazio e o sininho do “preciso de algo novo” toca.

E sabe como se chama esse processo?  Cultura do Consumo!

Você sai às compras buscando preencher aquele vazio, aquela ansiedade. Compra. Usa. E logo mais a sensação volta a bater. É um círculo vicioso!

E essa cultura do consumo invadiu nossa vida de tal forma, que hoje ela já faz parte do nosso DNA. Costumo dizer que somos a “geração Apple”, onde o design é perfeito, onde tem que ser caro pra ser bom, onde a marca é a referencia de qualidade. E então, vamos sendo moldados inconscientemente para acreditarmos nisso. Outra consequência da Cultura do Consumo, é a descrença do que somos capazes de fazer. Porque pra ser bom, precisa ser comprado. E ai, entra a Cultura do Faça Você Mesmo pra quebrar paradigmas.

Trabalhar com o “faça você mesmo” me ajudou a enxergar tudo isso, porque cada objeto criado, cada parede pintada, cada lixada em cimento… eu penso: Caraca, fui capaz de fazer sozinha! Ficou perfeito? Na maioria das vezes não. Mas deu uma satisfação pessoal? Sim! E muito!

O que faz um lar ser confortável e feliz? É o quanto pagou no sofá assinado ou a foto dos seus amigos colada com durex na parede? É o piso de mármore italiano que pagou uma fortuna ou estar rodeado de gente querida numa mesa qualquer?

Daí lá vem o mimimi… “ah… mas essas coisas caras e incríveis me fazem feliz!”

Tem certeza disso? Já parou pra pensar se realmente você é feliz com tudo o que comprou na vida? E se de um dia pro outro essas “coisas” não existirem mais? Sua felicidade acaba?

Já dizia Coco Chanel: “As melhores coisas da vida são de graça; as que vêm em segundo lugar são muito, muito caras.”

Então, meus amigos, venho aqui, humildemente, para alertá-los que não é o piso perfeito e as paredes alinhadas que trazem a felicidade! É um exercício árduo (confesso!). E estou desconstruindo a minha percepção do que é perfeito à partir das minhas experiências de vida. E isso tem feito um bem danado para minha alma e meu coração. E é com todo carinho que desejo à vocês o mesmo. Tudo bem se tiver um celular mais ou menos, uma casa mais ou menos, uma roupa mais ou menos. Todas essas “coisas” ficam velhas e obsoletas. E precisam ser trocadas. E então?  Vamos Desconstruir a Perfeição?
Assista ao vídeo onde falo um pouco mais sobre isso:

#desconstruindoaperfeição

Inscreva-se no Ektube e acompanhe toda a reforma da #casadaErika

 

Published by

Erika Karpuk

erikakarpuk.com

3 thoughts on “DESCONSTRUINDO A PERFEIÇÃO NA DECORAÇÃO

  1. Erika, texto ótimo!
    Penso que o exercício de desconstrução da perfeição é feito muito a partir do olhar. Nosso olhar foi treinado para caçar o detalhe e no detalhe buscar o defeito. E focar nele.
    O amigo chega para conhecer a casa nova e nos apressamos a avisar que o ladrilho que fica atrás do sofá foi colocado ao contrário.
    Temos o modelo 5 em perfeitas condições mas quase pedindo desculpas ao cosmos por ainda não termos adquirido o 7 Plus. E com capa dourada!
    Moro em uma casa linda, que não foi projetada por mim, mas que me acolhe e aos meus como um ninho. E nela vejo detalhes que penso em mudar, mas que convivo com a mesma tranquilidade com que me olho no espelho e reparo na ruga do canto do lábio.
    É o sonho do possível sem o incômodo da frustração.
    Vamos em frente!

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